Infância e Comportamento - Problemas na Escola - Saiba agora quais são as principais causas das dificuldades de aprendizagem
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Problemas na Escola - Saiba agora quais são as principais causas das dificuldades de aprendizagem
PROBLEMAS NA ESCOLA
SAIBA AGORA QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CAUSAS DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

- O problema é o meu filho ou é a escola?

Essa é a primeira pergunta que muitos de nós fazemos quando percebemos que a criança não vai bem na escola. Seja por algum problema na aprendizagem, seja por algum comportamento inadequado. É muito comum procurarmos culpados, ou, às vezes, até nos culpamos, não é mesmo?

Mas, você sabe quais são as principais causas de problemas na escola? Se não sabe ou quer saber um pouco mais, leia esse artigo e entenda melhor sobre situações que tiram o sono de muitos pais.

Nesse artigo, vamos abordar os seguintes tópicos:

- O papel da escola e a importância do diálogo entre os pais e a instituições de ensino.

- Existe um transtorno específico de aprendizagem?

- A descrição dos principais transtornos de aprendizagem.

- Dificuldades para aprender: a escola e a família como responsáveis pelos problemas de aprendizagem.

- A desatenção e a aprendizagem.

- A ansiedade e a aprendizagem.

Continue lendo para saber mais sobre este tema.

Compartilhe esse texto com seus amigos, para que mais e mais pessoas possam nos ajudar a lidar com o comportamento e com o desenvolvimento de nossas crianças.

MAIS UMA REUNIÃO NA ESCOLA

- Sr. Carlos*, bom dia. Quem lhe fala é a coordenadora Ângela*, da escola do Mateus*. Precisamos agendar uma reunião para discutirmos sobre o comportamento do seu filho e sobre a aprendizagem dele.

Reflexivo, Carlos respira profundamente... (sabe aquele momento em que respiramos bem fundo, mas tão fundo, que parece que vai acabar todo ar do mundo?) e responde:

- Pode ser na quinta-feira?

Mateus tem 12 anos e desde os 6 convive com problemas na escola. Ele não consegue aprender como os colegas e muitas vezes se irrita em sala de aula. Carlos e sua esposa vivem em dúvidas: Será que é preguiça desse garoto? Afinal, ele é tão bom nas outras coisas que faz?

Será que vou ter que mudá-lo de escola novamente? Ele já passou por seis... Será que a culpa é nossa?

A quem recorrer? Precisamos de ajuda, mas já ouvimos tantas dicas e estamos perdidos.

Mas, antes de ajudarmos você e o Carlos, precisamos deixar claro sobre qual é o papel da escola. Assim, você poderá compreender o quanto as temidas reuniões são tão importantes.

A escola é o ambiente que replica a vida “real” para a criança. Ao deixar sua casa, seu mundo, seus brinquedos e adentrar o ambiente da escola, a criança terá que DIVIDIR uma “mãe”, no caso a professora, DIVIDIR o tempo e o momento de falar, DIVIDIR o prazer de brincar exclusivamente com o seu brinquedo. Tudo muito novo para a criança administrar.

É difícil elas compreenderem tudo tão rapidamente, enquanto pequeninos. Dessa forma, a escola representa um ambiente em que a criança irá desenvolver, com a ajuda de um adulto, todos os domínios da aprendizagem.

Não apenas aprendizagem formal, com estímulos voltados para a inteligência (domínio cognitivo). Mas, também, preocupação com o desenvolvimento motor (domínio psicomotor) e com questões ligadas ao humor ou às emoções (domínio afetivo).

Assim, a escola representa muito mais do que um lugar onde a criança recebe instrução para depois ser avaliada. Representa um espaço de ampla socialização, de integração entre elas próprias e entre elas e o adulto.

Independente de qual seja a escola, objetivos são traçados para que cada um desses domínios seja estimulado. Só que, à medida que o tempo avança, aumenta-se a complexidade e busca-se atingir expectativas maiores, já estabelecidas previamente. Parâmetros são delimitados.

E as comparações são inevitáveis.

Então, dentro da escola, ao apresentar um desempenho ou um comportamento fora da normalidade, o aluno “problema” é identificado.

Mas, o que é normal?

Definir o que é normal não é tão simples. Por isso, surgem inúmeras polêmicas entre a visão da escola e a visão da família. Por exemplo, algo pode ser considerado anormal pela escola, sem que você, pai ou mãe, compreenda como tal.

A coordenação pode te apresentar uma queixa jamais percebida por você. E isso não te faz necessariamente um mau cuidador.

Você pode ficar em dúvida sobre a condição de normalidade (ou anormalidade) de seu filho, destacada pela escola. E isso, é aceitável!

Mas, se você compreende qual é o verdadeiro papel da escola, mesmo com aquela pontinha de dúvida sobre as queixas apresentadas, um consenso deve ser buscado, não é mesmo? E para se chegar a um entendimento, as reuniões são convocadas.

Espero que você tenha compreendido qual é o papel da escola e qual é a importância de que haja um diálogo entre pais/cuidadores e instituição de ensino.

*Personagens fictícios

TRANSTORNO OU DIFICULDADE

Neste artigo, já falamos sobre o papel da escola e definimos a importância dela como instrumento de socialização e de aquisição de conceitos formais de aprendizagem. As maiores queixas por parte de pais e de professores envolvem os prejuízos quanto à aprendizagem. Conceitualmente, dividimos esses prejuízos em dois grupos:

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM e;

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM.

Vamos falar primeiramente dos TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM.

Existem crianças que, apesar de um desenvolvimento perfeitamente dentro da expectativa, não conseguem aprender.

Elas tem inteligência normal.

Elas tem estruturas cerebrais normais.

Elas tem vontade de aprender.

Mas, não conseguem!!!

É como se esse cérebro não conseguisse funcionar bem quando a assunto é leitura, escrita ou matemática.

Esses casos recebem a denominação de TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM e podem ser suspeitados até mesmo antes do período da alfabetização, mas o diagnóstico só será confirmado quando a criança alcançar 8 ou 9 anos.

A INTERNATIONAL DYSLEXIA FOUNDATION aponta para a ocorrência desses transtornos em aproximadamente 15% a 20% da população.

O prejuízo tem origem neurobiológica. Ou seja, ocorre devido a alterações no funcionamento da engrenagem que movimenta todo o processo de aprendizagem dentro do cérebro da criança. E tem influência genética.

Comprovadamente, notam-se vários casos dentro de uma mesma família e maior presença em irmãos gêmeos idênticos. Portanto, se alguém na família tem ou teve na infância muita dificuldade para aprender, é melhor estar atento.

Assim, fica bem claro que não é falta de interesse. É, de fato, uma limitação e a criança não “se defende” sozinha.

E como identificar se é esse o motivo pelo qual a criança não aprende?

Já lhe adiantamos, não é tão fácil.

Mas, alguns sinais podem ser observados desde antes da alfabetização. Na pré-escola, por ter dificuldades no processo inicial de aprendizagem, a criança pode se mostrar dispersa, sem muito interesse pelos livros e apresentar limitações em relação à sua coordenação motora, dificuldade em montar um quebra-cabeça ou em memorizar os números.

E muitíssimo importante: muitas crianças com transtorno de aprendizagem apresentam atraso para começar a falar e podem ter dificuldades com rimas e canções. Aos 6 anos, na fase escolar, a professora passa a observar que a criança tem dificuldade em copiar do quadro, em escrever as letras. É como se toda a turma caminhasse e ela claramente ficasse para trás.

E isso acontece sem que o professor perceba nada de tão atípico em outras questões, como por exemplo, em seu comportamento ou em sua interação social. Ou seja, não se encontra nada que justifique tamanho atraso.

Porém, com o passar do tempo e com a frustração essas crianças podem se sentir tristes ou irritáveis, podem se isolar ou ficar agressivas. Mas tudo como consequência de sua insatisfação em relação à (não) aprendizagem e à toda cobrança muitas vezes imposta.

Não deve ser fácil perceber que todos à sua volta conseguem unir as letrinhas e criar palavras, criar um mundo de imaginação letrado, não é mesmo?

Esperamos que até aqui tenha ficado claro que existe um transtorno específico de aprendizagem e como ele pode ser percebido nos anos iniciais da criança.

Mas, não paramos por aqui!!!

Ah, e mais adiante iremos falar sobre o que representa as DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM.

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O GUARDA-CHUVA E OS PRINCIPAIS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

Voltando ao diagnóstico de TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM, é possível que a criança tenha prejuízo específico em uma única habilidade acadêmica ou mesmo ter desempenho abaixo do esperado, de forma considerável, em todas as habilidades.

A LEARNING DISABILITIES ASSOCIATION OF AMERICA entende que os Transtornos de Aprendizagem são como um guarda-chuva, sob o qual estão vários quadros específicos.

Debaixo de um guarda-chuva, você pode se sentir protegido, não é mesmo? Sob ele você carrega seus pensamentos, suas expectativas, caminha com coisas boas e com coisas ruins, cria situações e usa a imaginação.

E é como se debaixo de um enorme guarda-chuva várias categorias, várias subdivisões caminhassem lado a lado no que tange aos TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM.

Vejamos, então, um pouco do que “cabe” dentro dele:

DISLEXIA

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA define esse quadro como um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração.

Traduzindo, se comparadas às crianças da mesma idade, aquelas que tem dislexia tem performance pior em leitura e em escrita.

Como sinais e sintomas mais frequentes, as crianças podem apresentar:

• grande diferença entre compreensão oral e compreensão de leitura;

• dificuldade com a ortografia;

• dificuldades com a escrita manual;

• maior dificuldade em recordar palavras conhecidas

• muita dificuldade com rimas e canções

• grande dificuldade em fazer a decodificação (junção das letras e dos números) de palavras sem sentido, em relação a palavras reais.

As limitações devem ser persistentes, mas há grande possibilidade de melhora com a intervenção precoce. Esta intervenção será muito falada em todos os nossos artigos e representa um momento de interdisciplinaridade, em que vários profissionais se unem em prol do desenvolvimento da criança.

É preciso entender que uma evolução favorável vai depender de muito trabalho. E já adiantamos, tanto para a dislexia como para qualquer outro transtorno de aprendizagem, não há remédio que tenha ação comprovada. Assim, deve-se agir rápido e com o auxílio de profissionais habilitados para intervir.

DISGRAFIA

Para a LEARNING DISABILITIES ASSOCIATION OF AMERICA, a disgrafia afeta a capacidade de escrita e a coordenação motora fina.

Sabe aquela pessoa que tem letra estranha, desproporcional, que quase ninguém consegue ler?

Então...

Pode não ser por preguiça.

Pode não ser por pressa.

Pode ser disgrafia!

É evidente que devemos ser muito criteriosos para elaborar tal diagnóstico. Nem toda letra feia deve ser “diagnosticada e tratada”. Porém, a criança que recebe uma intervenção correta com o intuito de correção e auxílio, que não tem nenhum outro motivo para não escrever bem e que persiste com muita dificuldade, merece ser avaliada.

Como sinais e sintomas mais frequentes temos:

• escrita em letra de forma ou cursiva de forma ilegível (mesmo com tempo e atenção apropriados para tal tarefa);

• misturas de letras/palavras impressas e cursivas, maiúsculas e minúsculas, tamanhos irregulares, formas ou inclinação das letras;

• palavras ou letras inacabadas, palavras omitidas (trocas e omissões);

• espaçamento inconsistente entre palavras e letras;

• posição incorreta do punho, corpo ou posição do papel;

• dificuldade para pré-visualizar a formação de letras;

• cópia e escrita de forma lenta ou difícil;

• distribuição assimétrica espacial do texto na folha;

• pega no lápis de forma mais forte e com queixas frequentes de dor ao escrever;

• grande dificuldade para pensar e escrever ao mesmo tempo.

DISCALCULIA

Talvez você conheça alguém que tenha um “trauma” de matemática. Ou quem sabe você também não o tenha!

Mas, brincadeiras à parte, existem crianças que realmente não conseguem aprender a matemática.

Elas podem ser portadoras de discalculia, que são dificuldades específicas em processar informações numéricas, aprender fatos matemáticos e desenvolver habilidades de cálculos.

Compreender o senso numérico, memorizar fatos aritméticos, ter precisão ou fluência de cálculo e precisão no raciocínio matemático, são ações muito difíceis para quem é portador desse transtorno.

Como sinais e sintomas mais frequentes temos as seguintes dificuldades:

• compreender noções de valores numéricos, positivo e negativo, quantidade e conceitos de emprestar e dividir;

• compreender e fazer problemas matemáticos;

• sequência de informações e eventos;

• compreender as etapas envolvidas em operações matemáticas;

• compreensão de frações;

• manejar dinheiro de forma eficiente;

• compreender conceitos relacionados ao tempo, como dias, semanas e meses.

Existem outros diagnósticos que fazem parte dos TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM e que cabem debaixo desse guarda-chuva, mas os citados acima são os mais comuns.

Bom, você pode ter chegado até aqui e talvez esteja pensando:

- Meu filho não é assim!

Ou, se você é professor:

- Meu aluno não é assim! Por que será que ele não aprende?

Continue lendo para saber mais a respeito destes problemas que causam tanta inquietação em pais, filhos e escola.

Compartilhe esse texto com seus amigos, para que mais e mais pessoas possam nos ajudar a lidar com problemas escolares.

A ESCOLA E A FAMÍLIA PODEM SER OS
RESPONSÁVEIS PELAS DIFICULDADES?

Vamos continuar falando sobre os problemas de aprendizagem, mas, agora, não falaremos de nenhum transtorno específico do aprender.

Usaremos o termo DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM. E isso significa que o cérebro tem uma maior oportunidade de aprender, maior chance de funcionar conforme as expectativas.

Entretanto, situações relacionadas ao ambiente, a alterações do neurodesenvolvimento ou da saúde mental podem gerar muitas dificuldades para que a criança aprenda.

Quando falamos em AMBIENTE, devemos pensar na criança integrada à FAMÍLIA, à ESCOLA e ao AMBIENTE SOCIAL. Não se pensa em uma criança como um ser isolado, sem influência do meio com o qual ela convive, não é mesmo?

Ela sofre enorme influência dos adultos com quem ela tem contato todos os dias. Assim, se o ambiente familiar não está “ajustado”, é impossível para a criança assimilar todo o conteúdo pedagógico.

Quando usamos a palavra “ajustado” abrimos um imenso leque. Desde famílias imersas em um mundo de álcool e drogas ou em situação de negligência (fome, frio), até famílias cuja ausência dos pais influenciam diretamente na vida escolar dos filhos.

Como cobrar leitura de uma criança, se seus pais não leem em casa?

Como cobrar rotina de estudo da criança, se a família não tem rotina para nada?

Como cobrar bom rendimento escolar, se não há alimentação adequada para nutrir?

Entendemos que aprender exige muito além do que apenas o QUERER aprender!

Se deixarmos os problemas da família de lado (imaginemos agora que se trata de uma família bem estruturada), haveria a possibilidade de que a dificuldade para a aprendizagem fosse fruto de problemas que envolvam a metodologia pedagógica?

A resposta é SIM, mas, para algumas situações.

Algumas crianças podem não se adaptar a determinada metodologia de ensino. E não temos a pretensão (ao menos nesse texto) de discorrer sobre as várias formas de aprendizagem.

Mas, algumas crianças conseguem aprender de uma maneira mais livre, outras precisam de maior supervisão.

Algumas alcançam os objetivos propostos independentemente do método empregado pela escola.

Assim, é muito importante que a escola e a família percebam, conjuntamente, qual sistema de ensino é o melhor para cada criança, sem que ambas as partes se atenham a convicções preconcebidas.

Um passo diferente, dado no momento correto, pode diminuir uma série de prejuízos no futuro. E mudanças eventuais podem fazer muito bem!

Mas, em alguns casos, os adultos que cercam a criança oferecem condições para que ela aprenda e não há problema identificado quanto ao método empregado pela instituição de ensino, só que, mesmo assim, a criança tem problemas na escola.

Não é culpa da escola, não é culpa da família.

A criança não tem nenhum transtorno específico do aprender. Então, como explicar as dificuldades da criança?

Existem quadros de dificuldades para aprendizagem associados a prejuízos intrínsecos do estudante, como os quadros de déficit de atenção ou de ansiedade, por exemplo.

É DESATENÇÃO, MESMO?

Sabe aquela criança inteligente, que é ótima no videogame, que canta as músicas que tocam no rádio, que é fera no youtube, mas que não termina a tarefa, que erra continhas simples de matemática por descuido ou que não termina de ler um texto?

Você conhece alguma criança assim?

Então, será que ela tem TDAH?

TDAH é o falado (bem ou mal) TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE e hoje representa grande preocupação para pais e professores. Mas, precisamos ter muito cuidado para não demorar a fazer um diagnóstico ou para não enxergarmos exageradamente a presença do transtorno.

• Nem toda criança que está desatenta tem TDAH!

• Nem toda criança com TDAH vai apresentar dificuldade para aprender!

• Nem toda dificuldade para aprender é culpa do TDAH!

• Porém, dados apresentados pela professora Juliana Gurgel-Giannetti mostram que:

• 56% das crianças portadoras de TDAH tem DIFICULDADES PARA APRENDIZAGEM

• 25% a 40% dos pacientes que tem TDAH, apresentam também algum TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM

Assim, não há como negar a influência da tríade desatenção, hiperatividade e impulsividade na vida escolar de algumas, mas não poucas, crianças.

Como falamos em nosso artigo anterior Como lidar com a irritabilidade na infância, em torno de 5% das crianças em todo o planeta apresentam quadro clínico compatível com o TDAH.

Agora nos resta explicar como o TDAH afeta a aprendizagem.

A dificuldade escolar é um dos desfechos negativos do portador de TDAH.

Seja pela falta de atenção:

Não se concentra durante uma explicação.

Não conclui uma atividade.

É mais lento ao executar uma tarefa.

Esquece o dever de casa, feito no final de semana.

Perde tempo em encontrar seu lápis ou sua borracha.

Seja pela hiperatividade:

Não fica sentado na carteira para escutar o professor.

Pede para beber água ou ir ao banheiro frequentemente.

Faz uma verdadeira batucada na carteira com seu lápis.

Seja pela impulsividade:

Nem terminar de ler e já responde a questão.

Não espera alguém falar para depois emitir sua opinião.

Dificilmente aguarda a última aula acabar.

Em determinada fase de seu desenvolvimento, várias crianças podem apresentar um pouco do que citamos acima. O que não é aceitável é apresentar um grande prejuízo por conta disso tudo, a ponto dela errar contas simples ou mesmo não conseguir escrever pequenas palavras.

Além disso, para se pensar em TDAH, algum sintoma dessa tríade deve ocorrer em intensidade e frequência importantes em outros ambientes ou em outras situações que não sejam só relacionadas ao estudo.

Em casa, por exemplo, a criança pode perder seus brinquedos, pode não conseguir manter uma mínima organização, pode correr e falar alto, sem se fixar em uma atividade.

No supermercado, ela se perde, não se preocupa e anda sem direção, distraindo-se sem perceber.

Nas festinhas dos amigos, é quem mais grita, corre de um lado para o outro, esbarra-se nos pequenos e nem percebe o que fez.

É evidente que nem todos serão assim, que nem todos se encaixarão nesse exemplo. Existe uma variação enorme entre as características e os prejuízos de cada criança portadora de TDAH.

Todavia, reforçamos: há sintomas em mais de um ambiente!

O TDAH extrapola as paredes da escola.

A criança com TDAH apresenta os sintomas desde muito cedo.

Eles não surgem de uma hora para outra!

Para se fazer o diagnóstico é muito importante compreender essa evolução e perceber a ocorrência dos sintomas anteriormente ao momento da queixa por parte da escola ou do encaminhamento ao profissional de saúde.

E por falar em profissional de saúde, você pode estar se perguntando:

- E como é feito esse diagnóstico?

Não existe até então, nenhum marcador, nenhum exame que esclareça o diagnóstico. Assim como não existe para depressão ou para ansiedade. Existem critérios clínicos bem estabelecidos pela ciência que devem ser seguidos para que o transtorno seja reconhecido.

A última classificação da ACADEMIA AMERICANA DE PSIQUIATRIA define bem esses critérios. Muitas vezes, é preciso uma observação mais rigorosa e informações precisas de diversas fontes.

Escola, pais, amigos, vizinhos, equipe interdisciplinar - composta por vários profissionais de saúde -, enfim, muito cuidado para se averiguar.

Assim, há menos chances de erro e maior possibilidade de ajudar a criança com DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM.

MEDO DE ERRAR, MEDO DE APRENDER

Negativismo, pensamento catastrófico, medo, insegurança. Assim, vive uma pessoa ansiosa, criança ou adulta. Cercada de pensamentos ruins, que muitas vezes a impede de executar atividades simples. Pensamentos recorrentes que causam dor. É diferente daquele “friozinho na barriga” que sentimos quando vamos enfrentar algo novo, mas que logo irá passar.

Indícios de uma possível evolução para um TRANSTORNO ANSIOSO podem ser notados desde muito cedo, já na primeira infância. Na escola, podem ser muito bem observados.

Crianças que se isolam, que fogem de desafios, que de prontidão já falam que não conseguem, que não são boas em nada.

Crianças que se mostram dispersas porque estão pensando em algo que lhes causam sofrimento, algo muitas vezes fantasioso sobre sua real capacidade.

Crianças aflitas, mesmo com pequenas críticas e que não se desvencilham de palavras ditas há um bom tempo.

Não é fácil aprender assim. É como se o pensamento dela não estivesse realmente ali, em sala de aula.

Imagine você pensando diante de alguém que quer lhe ensinar algo:

- Eu nunca vou aprender isso!

Qual é a abertura que você está dando para transformar o seu cérebro e de fato aprender? Nenhuma!

Pais e professores devem ouvir a criança, ouvir o que ela tem a dizer sobre o momento em que estão aprendendo. Ouvir suas angústias e preocupações e tentar evitar que esses sentimentos evoluam e que fujam do controle.

Há casos que se tornam graves. Você sabia que algumas crianças ansiosas nem conseguem ir para a escola? E não é porque elas estão acomodadas em casa. Elas verdadeiramente não conseguem, tamanho o sofrimento.

Há crianças que apresentam sintomas físicos (dor de cabeça, dor de barriga, vômitos, tonteira) quando se imaginam entrando na escola, passando por algum teste ou mesmo sendo arguido oralmente por um professor.

Por isso, não conseguem adentrar os portões do colégio. E acabam passando por avaliações de vários especialistas para tentar encontrar motivos físicos para justificar todos os sintomas.

Preocupante, não?

Devemos ter muito cuidado em relação à maneira como exigimos de nossas crianças. Pois, aquela menina ou menino que já tem dificuldade para aprender e que já tem um perfil ansioso pode piorar caso a escola ou a família não estabeleçam um suporte afetivo adequado.

COMO DEFINIR A CAUSA PARA O PROBLEMA ESCOLAR

Pensamos que a palavra de ordem seja cuidado. Muito cuidado para não esperar o tempo passar e ficar torcendo para a criança aprender. E muito mais cuidado para não exagerar na problematização da educação.

Para o professor, dois componentes são muito importantes, independentes de quaisquer diagnósticos: afeto e criatividade.

Afeto para saber lidar com as diferenças entre cada criança, de maneira atenciosa e humana. Criatividade para extrair o máximo de cada estudante.

E para os profissionais de saúde, é imprescindível avaliar a criança como um todo. Evitar rótulos e estigmatização. Entender que a criança, além do problema para aprender, tem um mundo real com o qual se relaciona. Que pode ter problemas muito mais sérios em sua vida do que ler ou escrever.

Ouvi-la só, sem a presença, muitas vezes constrangedora, de um adulto - mesmo sendo os pais - é muito importante. Problemas de relacionamento com colegas ou de adaptação ao ambiente escolar são relatados pela criança, quando ela tem a certeza de que vai ser apenas ouvida e não julgada.

Falamos sempre que a consulta, seja ela feita pelo médico, psicólogo ou por qualquer outro profissional de saúde deve ir muito além do que o que é falado entre as quatro paredes do consultório.

A escola deve ser também consultada. O relacionamento entre escola e profissionais de saúde, sem que um interfira no espaço do outro, mas de forma que ambos sejam ouvidos, irá determinar o sucesso de um diagnóstico correto e de uma intervenção eficaz.

Deve-se questionar a existência de adversidades que ultrapassam, recentemente ou há tempos, a queixa de dificuldade escolar.

Como foi o primeiro ano de vida dessa criança?

Quanto estímulo ela recebeu de um adulto, no que diz respeito ao afeto, à linguagem, às aquisições de manejo motor?

Assim, vários profissionais deverão ser envolvidos até que se tenha um diagnóstico. A fonoaudiologia, a psicologia, a psicopedagogia e a terapia ocupacional caminharão ao lado da medicina até que se estabeleça a verdade a respeito do problema escolar. Elaborar um diagnóstico e definir um plano de tratamento eficaz pode modificar todo o curso de vida da criança com dificuldade para aprender. Uma avaliação correta de uma queixa de problema escolar ou de dificuldade para aprendizagem pode exigir muito tempo de observação e de investigação.

Temos que ter paciência! Mas, sem negligência!

E, assim, cuidar de quem precisa da gente.

Cuidar para que a criança seja plenamente feliz.

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