Infância e Comportamento - Seu Filho sente medo? Descubra hoje se é normal ou Transtorno de Ansiedade!
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Seu Filho sente medo? Descubra hoje se é normal ou Transtorno de Ansiedade!
Seu filho sente medo?
Descubra hoje se é normal ou Transtorno de Ansiedade
"Todos os homens têm medo.
Quem não tem medo não é normal;
Isso nada tem a ver com a coragem"

Jean Paul-Sartre

Continue lendo para saber mais a respeito do medo e da ansiedade na infância.

Compartilhe esse texto com seus amigos, para que mais e mais pessoas possam nos ajudar a lidar a ansiedade na infância.

Se os adultos sentem medo, imaginem as crianças!

O medo faz parte da natureza humana e ele pode ser importante em muitas situações.

Mecanismos de defesa são ativados em busca de nos manter vivos, uma vez que nos sentimos ameaçados, uma vez que sentimos medo.

É a luta pela sobrevivência.

Sem que perceba, a criança desenvolve medos conforme ultrapassa cada etapa do seu desenvolvimento, ou seja, ela vai se sentir apavorada em algum momento de sua vida.

E você, adulto, deve saber muito bem como lidar com isso!

Identificar cada situação desagradável vivida pela criança e intervir da maneira correta são ações fundamentais diante dos momentos de sofrimento de cada uma.

Palavras ditas de maneira equivocada, questionamentos indevidos e reforços - em relação ao enfrentamento do medo - feitos erroneamente podem aumentar muito o sofrimento da criança.

É importante que você esteja preparado e que possa compreender como cada criança reage.

Mas, você sabe até quando o medo deve ser encarado como algo normal para sua criança?

Você consegue perceber qual é o limite entre esperar e se preocupar com a insegurança de seu filho?

Você imagina o que pode estar por trás daquilo que aterroriza seu filho e que o atrapalha a viver sua infância?

Bom, essas são algumas questões que esperamos lhe responder no nosso super artigo: Seu filho sente medo? Descubra hoje se é normal ou Transtorno de Ansiedade.

Nesse artigo, vamos abordar os seguintes tópicos:

- O medo em cada fase do desenvolvimento da criança

- Os sinais precoces de um Transtorno Ansioso.

- Os Transtornos Ansiosos mais comuns na infância.

- Formas de prevenção e de tratamento dos Transtornos Ansiosos.

Existe medo normal?

O medo é uma emoção básica, presente em todas as idades e culturas e especialmente importante para o crescimento emocional das crianças.

Felizmente, ele pode aparecer e desaparecer, inclusive de modo muito previsível em determinadas fases do desenvolvimento. Porém, mesmo sendo previsível, você pode se sentir inseguro em determinada situação, não é mesmo?

Mas, ao saber que existem medos “típicos” em cada etapa da evolução natural da criança, você terá a certeza de que o alívio se tornará plenamente alcançável.

Então, vamos conhecer os principais medos na infância, etapa por etapa?

Bebês

De repente, ao completar seus 6 ou 7 meses de idade, aquela criança sorridente, que ia no colo de todos, passa a chorar copiosamente quando um “estranho” se aproxima.

Provavelmente, você já se deparou com um bebê nessa fase, não é mesmo?

É certo que dos 6 aos 18 meses o bebê apresente medo de pessoas ou mesmo de situações estranhas, que fuja de sua rotina típica e demonstre um comportamento diferente do seu habitual. Ele se sente mais seguro no colo ou visualmente próximo de pessoas conhecidas.

E você sabe o porquê disso?

É que nessa fase a criança está ainda formando as relações de vínculos e também não tem consolidado a noção de permanência de objetos. Ou seja, nessa idade ela ainda está aprendendo que os objetos e pessoas que não estão à sua volta continuam a existir.

Para ela, se algo não está ao alcance de seus sentidos pode não voltar nunca mais.

É apavorante para um bebê!

Mas, isso vai passar...

2 a 6 anos

Uma formiga pode ser um monstro!

A criança começa a gritar e a se debater em busca de ajuda.

A causa: formigas veem em sua direção...

Medo de animais, dos grandes e dos pequenos, são muito comuns nessa fase.

Outro medo muito comum nessa etapa é o de pessoas mascaradas. Se você frequenta ou já frequentou circo deve se lembrar do choro desesperador de algumas crianças quando se veem frente a frente com um palhaço.

O que era para ser divertido, um belo programa de família, nem sempre termina bem. Essas crianças ficam verdadeiramente apavoradas e a presença forte de um adulto pode acalmá-las.

Tudo bem, algumas vezes pode ser melhor tirá-las de cena.

Seguindo com os medos nessa faixa etária, entre 4 e 6 anos, passamos a observar que algumas crianças começam a ter medo do escuro. Sem razão aparente, aquele garotinho, que já dormia sozinho no seu quarto, altera sua rotina e não consegue ficar tranquilo no escuro.

Fica bem claro que estar no escuro é estar assustadoramente sozinho!

E para uma mente rica em imaginação, tudo (mas tudo mesmo!!!) pode “aparecer” para as crianças durante a noite. Fantasias, seres imaginários... que mente fértil essas crianças têm!

Não é incomum observarmos pais apreensivos com essa mudança, já que estava tudo tão tranquilo.

São vários os despertares durante a noite e os pesadelos surgem. Situações esperadas para a maioria das crianças e que, com um bom manejo, tem seu fim decretado num breve período.

7 a 10 anos

O maior enfrentamento vivido pelas crianças nessa fase envolve a instituição escola.

Medo do fracasso ou, antes disso, medo de se adaptar à própria escola.

Medo de ser esquecido no colégio ou medo de se atrasar para a aula.

Medo do erro.

São situações esperadas que denotam uma nítida modificação na percepção que a criança tem em relação ao meio e às cobranças impostas.

Mas, nada deve sair do controle. Um friozinho na barriga ou algumas perguntas repetitivas podem ocorrer, entretanto sem causar maior sofrimento.

Isso vai passar!

Nessa fase também surge a preocupação com outras questões do cotidiano. Medo de doença, medo de perder um ente querido, medo de acidentes ou medo devido a conflito entre os pais.

A criança pode questionar, até mesmo de forma insistente, sobre alguma dessas situações, mas é certo que a maioria delas vai se sentir aliviada com as respostas que encontrar.

Normalmente, tudo isso passará!

Adolescência

Naturalmente, o adolescente necessita de estar inserido em um grupo. E essa é a situação que mais gera medo nessa fase: ser aceito.

Preocupação com o corpo, com a forma de agir, insegurança ao falar... tudo isso leva a uma perda na autoestima.

À medida que avançam na adolescência e que suas emoções se afloram, outros medos surgem: o primeiro beijo, a primeira namorada ou o primeiro namorado, a primeira relação sexual, o medo de engravidar ou de ser pai.

Se você tem mais de 18 anos deve estar nesse momento relembrando um pouco desses medos...

Portanto, em todas as fases detalhadas acima (do bebê ao adolescente), na maioria dos casos, o medo é passageiro, próprio de cada idade e tende a desaparecer de forma natural. Contudo, quando ele se torna exagerado, excessivamente intenso e persistente, o medo acaba por resultar em sofrimento para a criança.

E aí nos deparamos com o que chamamos de ansiedade.

Ansiedade é diferente de medo, porém ambos se sobrepõem.

O medo é a resposta emocional a uma ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de uma ameaça futura. Então, o medo gera uma resposta ansiosa, a qual se manifesta e ganha corpo gradativamente.

Assim, é muito importante que você identifique precocemente quais seriam os sinais de um provável quadro de ansiedade.

Na sequência do artigo, falaremos sobre os sinais precoces que irão lhe ajudar a perceber se a criança está vivendo ou não uma história de ansiedade.

Continue lendo para saber mais a respeito do medo e da ansiedade na infância.

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Sinais Precoces de Transtornos de Ansiedade

Vimos que a criança pode sentir medo e que faz parte do seu desenvolvimento. Percebemos que existe diferença entre medo e ansiedade e que a desarmonia em relação à resposta ao medo pode causar sofrimento para a criança ou para o adolescente.

De acordo com a American Psychological Association, a ansiedade é uma emoção caracterizada por sentimentos de tensão, pensamentos preocupados e mudanças físicas.

Sendo assim, pensando em um quadro de Transtorno Ansioso, você deve observar se existe um componente de evitação por parte da criança, com alterações físicas bastante inespecíficas.

Ao falar em evitação (comportamento de cautela ou de esquiva) estamos nos referindo ao fato da criança deixar de fazer atividades ou de manifestar comportamentos que anteriormente fazia ou manifestava.

Porém, a criança nem sempre expressa verbalmente o que está sentindo e, devido a isso, devemos estar muitíssimos atentos. Assim, devemos observar a ocorrência de alterações físicas, cujos sintomas podem ser apresentados de maneira diferente por cada indivíduo no momento de maior estresse.

Para tornar a compreensão menos complexa, vamos criar algumas situações de manifestação ansiosa.

Percebam o quanto elas são difrentes entre si, mas ao mesmo tempo carregam o sentimento de tensão, de preocupação, com evitação e com sintomas físicos.

Exemplo 1

Imagine uma criança de 8 anos, em sala de aula, que começa a ir frequentemente ao banheiro, que se esquiva quando o professor olha para ela, que parece estar assustada quando alguém lhe dirige a palavra.

Ela passa a se queixar de dor de cabeça e tonteira e vira-e-mexe está na coordenação, longe de sua sala de aula.

Uma mudança importante no funcionamento da criança dentro do ambiente escolar pode representar uma dificuldade em controlar as emoções e o início de um quadro anisoso.

Você se sente preparado(a) para lidar com essa mudança?

Exemplo 2

Criança de 4 anos, que sentava-se à mesa e de tudo comia. E que comia sozinha, manuseando os talheres.

De repente, muda seu padrão de comportamento e chora no momento que deve se alimentar ou que passa a aceitar somente alimento líquido.

Grita que tem medo de engasgar e de se sufocar. Está perdendo peso e já nem demonstra sentir fome.

Você imagina como proceder?

Exemplo 3

Criança de 9 anos. Sempre estudou no período da manhã e seus pais o deixavam com os avós no período da tarde para trabalhar. Mas, sempre almoçavam juntos.

De repente, passa a sentir falta de ar quando termina o almoço, anda de um lado para o outro próximo à porta da sala, fala o tempo todo com a mãe perguntando que horas ela vai voltar, por qual caminho ela irá para o trabalho, se realmente ela precisa ir.

A mãe, apressada, nem sempre responde aos questionamentos do filho e se irrita com o falatório. A criança se descontrola e implora para a mãe não sair.

Já se imaginou nessa situação?

Bom, caberiam vários e vários exemplos para mostrar o início de um quadro ansioso, tamanha a diversidade entre eles. Porém, algumas queixas e mudanças de comportamento nos preocupam e você deve estar atento:

• dores de cabeça e de estômago;

• “sempre” doentes pela manhã;

• necessidade muito frequente em ir ao banheiro;

• tensão e tonturas;

• dor no peito;

• coração acelerado;

• medo de asfixia ou vômitos;

• dificuldade em engolir alimentos sólidos ou medo de comer alguns alimentos;

• mudança do padrão habitual do sono;

• desatenção;

• inquietação;

• queda no desempenho acadêmico ou recusa em relação à escola ou à outras atividades sociais.

Mas, como diferenciar o que faz parte de uma situação comum daquilo que chamamos de Transtornos Ansiosos?

Então, vamos continuar a leitura, pois falaremos um pouco sobre cada um dos Transtornos Ansiosos para que você possa perceber qual é o momento de procurar ajuda.

Principais Transtornos de Ansiedade na Infância

Vamos aos números! Os Transtornos Ansiosos estão seguramente entre os mais prevalentes na criança e no adolescente. Um estudo recente, publicado pelo pesquisador Bronsard G, sobre a prevalência dos transtornos mentais na criança e no adolescente estimou que cerca de 18% deles sofrem com pelo menos um dos Transtornos Ansiosos ao longo da infância.

Praticamente uma criança ou um adolescente a cada 5!

Estudos anteriores colocam esta prevalência em torno de 10% no mundo e no Brasil. O pesquisador Fleitlich-Bilyk, em 2004, encontrou uma prevalência de 4,6% nas crianças e de 5,8% nos adolescentes.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5, 2013), os Transtornos de Ansiedade se diferem entre si em função dos objetos ou das situações que induzem o medo, a ansiedade ou os comportamentos de esquiva.

Muito embora a criança possa ter vários Transtornos de Ansiedade, é possível separá-los e diagnosticá-los de forma isolada.

Transtorno de Ansiedade de Separação

A característica essencial do Transtorno de Ansiedade de Separação é a ansiedade excessiva em relação ao afastamento dos pais, ou de seus substitutos, e de casa. Mas tem que ser algo que seja desproporcional ao que é esperado para o nível de desenvolvimento da criança e que tenha duração mínima de 4 semanas.

Os sintomas causam sofrimento intenso e prejuízo significativo em várias áreas de relacionamento da criança ou adolescente. É o Transtorno Ansioso mais comum até os 12 anos de idade, principalmente entre 7 e 9 anos, e acomete cerca de 5% das crianças.

Quando separadas das pessoas que elas são muito apegadas, elas geralmente apresentam retraimento social, apatia, tristeza, recusa de brinquedos ou de brincar e até mesmo dificuldade de concentração e queda de rendimento na escola. Há casos em que ocorre a recusa de ir à escola ou até mesmo de sair de casa.

A situação de percepção de perigo à família ou a elas mesmas faz com que estas crianças e adolescentes manifestem medos frequentes de animais, viagens, atraso dos pais ou cuidadores, de escuro, de assaltos, de sequestros e de outras situações que as deixam desconfortáveis o suficiente para trazer um descontrole e um desequilíbrio emocional.

Às vezes surgem sintomas físicos (dor abdominal, tonturas, náuseas, vômitos, dor de cabeça, palpitações, alterações de sono) que podem deixá-las incapacitadas de fazer suas atividades rotineiras.

Estudos científicos sugerem que a presença do Transtorno de Ansiedade de Separação na infância é um fator de risco para o desenvolvimento de diversos outros Transtornos de Ansiedade e de Transtornos do Humor, como a depressão, na vida adulta.

Mutismo Seletivo

A principal característica clínica associada ao Mutismo Seletivo é a recusa por parte da criança em falar em determinadas situações. Ao se encontrarem com outras pessoas em interações sociais elas se recusam a falar.

Porém, é capaz de falar em outras situações, como na segurança do lar. Elas podem falar com os pais, mas evitar falar com amigos próximos, avós, tios, primos...

É muito comum que estas crianças se recusem a falar na escola, o que leva a prejuízos educacionais e sociais. Estes sintomas podem durar mais de um mês e ocorrem com menos de 1% das crianças.

As crianças com Mutismo Seletivo geralmente têm como característica alguns traços em sua personalidade:

• timidez excessiva;

• medo de constrangimento;

• isolamento e retraimento sociais;

• apego inseguro;

• traços compulsivos;

• negativismo;

• ataques de birras ou comportamento opositor leve.

Quase sempre recebem um diagnóstico de um outro Transtorno de Ansiedade adicional, sendo o mais frequente o Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social.

Fobia Específica

A principal característica está associada com o medo ou ansiedade acentuados acerca de um objeto específico ou situação, por exemplo: medo de voar, altura, tempestade, elevadores, pontes, personagens fantasiados, animais, tomar injeção, ver sangue entre outros.

Por outro lado, estas situações não podem estar associadas à exposição pública, que se classifica como Fobia Social, ou medo de ter um ataque de pânico (Transtorno de Pânico).

Em crianças, o medo ou ansiedade pode ser expresso por choro, ataques de raiva, imobilidade ou comportamento de se agarrar.

A Fobia Específica se diferencia do medo normal na infância por ter como característica uma reação excessiva e pouco adaptada, que foge do controle, leva a reações de fuga, é persistente e causa comprometimento funcional (social, acadêmico...) da criança.

As fobias mais comuns na infância se associam com pequenos animais, injeções, escuridão, altura e ruídos intensos. Estudos em unidades de atendimento especializado colocam prevalência em torno de 2,4% a 9,2% da população infantil, sendo que em adolescentes gira em torno de 3,6% a 4,7%.

Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)

A Fobia Social em crianças e adolescentes se caracteriza por medo ou ansiedade acentuados e persistentes de uma ou mais situações em que eles se julgam exposto à avaliação de outros ou que se comporte de maneira humilhante e vergonhosa.

Ela atinge cerca de até 3% da população infantil.

As crianças com Fobia Social relatam desconforto intenso em variadas situações, como falar em sala de aula, comer na cantina próxima de outras crianças, ir a festas, entregar presentes, escrever ou ler na frente de colegas, usar banheiros públicos e conversar com professores ou treinadores.

O rubor facial é a resposta física característica deste transtorno. Porém, há outros sintomas físicos muito comuns a estas crianças, como:

• palpitações;

• tremores;

• falta de ar;

• aumento de suor nas mãos;

• ondas de calor e frio;

• náuseas;

• dificuldades momentâneas na fala.

A pessoa reconhece que o medo é excessivo ou até mesmo irracional, e estas situações são geralmente evitadas ou no máximo suportadas. Porém, quando enfrentadas, causam intensa ansiedade e sofrimento, caracterizando desta forma o Transtorno de Ansiedade Social.

Transtorno de Pânico

Assim como no adulto, o início na criança é súbito, espontâneo e inesperado de medo.

É avassalador!

Ela sente terror, apreensão e sensação de morte iminente, caracterizando um verdadeiro ataque de pânico. E, junto com o medo intenso de morrer, outros sintomas aparecem como coração acelerado, suor excessivo, tontura, falta de ar, dores no peito e abdômen e tremores.

Após passar por tudo isso, ainda há a preocupação persistente de vir a ter novos ataques.

O Transtorno de Pânico é mais raro em crianças pequenas, porém, aumenta bastante na adolescência. Existe uma prevalência de 2% a 3% entre adolescentes e adultos.

Em cerca de 50% dos casos observa-se o desenvolvimento de Agorafobia, que são os medos e comportamentos de esquiva, de fuga. Geralmente é associada ao medo de sair de casa, de ficar sozinho, de estar longe de casa em situações em que pode se sentir presa, como cinemas, aglomerações, saída da escola, dentre outras.

Apenas para ressaltar, o DSM-5 coloca atualmente o Transtorno de Pânico separado da Agorafobia, como diagnósticos independentes. Isto é, a Agorafobia pode ser manifestada sem a presença obrigatória do Transtorno de Pânico.

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

As características essenciais do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) são ansiedade e preocupação excessivas, com comprometimento significativo do funcionamento social, emocional e ocupacional da criança.

Isto é, a intensidade, duração ou frequência da ansiedade e preocupação são desproporcionais à probabilidade de que algo realmente aconteça, gerando intenso sofrimento antecipatório.

Ocorre na maioria dos dias, por pelo menos 6 meses, e acomete cerca de 2,7% a 4,6% das crianças. O sexo feminino predomina em relação ao masculino, e quando o TAG está presente na infância, existe um maior risco de depressão na idade adulta.

Geralmente, há uma preocupação muito grande com o julgamento dos outros, uma necessidade acentuada de auto afirmação, de renovação da confiança, que os tranquilizem.

A marca do TAG é o pensamento repetitivo, persistente, com conteúdo quase sempre catastrófico e negativo. Isto gera a preocupação excessiva e a ansiedade ou medo do futuro, muitas vezes criando várias crenças, as quais tem certeza que poderá acontecer.

Quando isto ocorre os sintomas mais frequentemente associados são:

• inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele;

• cansaço excessivo;

• dificuldades em se concentrar e muitas vezes com sensações de “branco” na mente;

• irritabilidade;

• tensão muscular;

• perturbações do sono (dificuldades em dormir, em manter o sono, agitação e sensação de sono insatisfatório).

Em adolescentes é comum o estresse associado ao perfeccionismo, agressividade, reações intempestivas à frustração.

Ufa... Esses são os quadros clínicos relacionados à Ansiedade.

Esperamos que você possa ter compreendido a diferença entre eles e que se sinta mais confortável para atuar frente aos primeiros sinais de alerta.

Mas, o que fazer caso você suspeite de que a criança possa estar iniciando uma vivência de muita ansiedade?

Que atitude tomar para que a criança não desenvolva um Transtorno Ansioso?

A quem recorrer? Qual é o primeiro passo a ser dado?

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E agora? Tem tratamento?

Os pais muitas vezes não observam os sintomas de ansiedade em mais de 50% dos casos.

As crianças, muitas vezes, têm vergonha de falar sobre os seus medos e preocupações, o que faz com que o sofrimento fique crônico ao longo do tempo.

Neste caso, as complicações – como depressão, insegurança, dependência afetiva e funcional, dentre outras - podem causar bastante prejuízo aos jovens. E para que isso não ocorra, devemos agir em duas frentes: na prevenção e na identificação/tratamento.

Várias publicações científicas mundo afora têm mostrado o quanto um relacionamento saudável entre a criança e seus pais/cuidadores pode minimizar o surgimento de quadros ansiosos.

Estudo realizado na Nova Zelândia, publicado em 2012, deixou claro que os adolescentes com relacionamentos mais fortificados com seus pais tiveram taxas de Transtorno de Ansiedade até 50% menores do que aqueles com os vínculos de relacionamentos mais fracos.

Na mesma linha de raciocínio, foi publicado em 2015 pelos pesquisadores Nejra Van Zalk e Maartin Van Zalk um estudo que chegou à conclusão de que jovens que se sentiram mais conectados com seus pais e que receberam maior atenção dos amigos eram menos propensos a experimentar um aumento na ansiedade social ao longo dos três anos seguintes.

De uma forma geral, crianças que crescem em ambientes que promovam a chamada competência social, encontram proteção para situações de ansiedade.

Dividimos a competência social entre a capacidade de se impor em situações sociais, ou seja, a capacidade de defender os próprios interesses, e a capacidade de construir relacionamentos, que é a capacidade de iniciar relacionamentos positivos e mantê-los.

Algumas situações e alguns comportamentos podem ser adotados em casa e favorecer o desenvolvimento dessas competências.

Vamos citar algumas dicas que foram sugeridas pela professora Amy Przeworski de Case Western Reserve University, Cleveland, Ohio.

• Incentive seu filho a enfrentar seus medos, não a fugir deles;

• Diga ao seu filho que pode estar tudo bem em ser imperfeito;

• Faça-o focar nos aspectos positivos;

• Crie momentos com atividades relaxantes;

• Seja um modelo de comportamento, de autocuidado e de pensamento positivo;

• Recompense comportamentos corajosos de seu filho;

• Estabeleça uma boa rotina de sono;

• Encoraje seu filho a expressar seus medos.

Talvez, nesse momento da leitura, você já tenha que lidar com o fato de sua criança estar vivendo um Transtorno Ansioso.

Muitas dúvidas passam pelo sua cabeça.

Vou ao psicólogo? Será que se for ao médico ele vai passar um remédio forte? É preciso mesmo usar medicamento? Será que um dia isso vai passar?

O diagnóstico correto deve ser buscado o mais precocemente possível e a intervenção deve se iniciar de imediato.

O tratamento por meio da psicoterapia é o mais indicado inicialmente, no momento em que se estabeleça um diagnóstico.

Casos considerados mais graves, que pouco respondem à intervenção psicoterápica, podem ser tratados também com medicações, mesmo na infância, já que existem evidências científicas que demonstram melhora dos sintomas e segurança com o uso.

Este artigo não tem como objetivo substituir a consulta com o profissional de saúde. Somente uma avaliação minuciosa com os especialistas da área é capaz de analisar caso a caso e chegar a um diagnóstico correto e a um tratamento individualizado e adequado.

Ter medo é normal, só não podemos perder o controle da situação!

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